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Regulamento Administrativo n.º 29/2001

 

REGULAMENTO DE ESTRUTURAS DE AÇO PARA EDIFÍCIOS


Art. 1 a 23 ] [ Art. 24 a 34 ] [ Art. 35 a 42 ] [ Art. 43 a 63 ] [ Art. 64 a 90 ] [ Anexos ]


Artigo 35.º

Esforço transverso

 

1. O valor de cálculo do esforço transverso VSd em cada secção transversal deve satisfazer:

 

 

VSd  £  Vpl.Rd

 

em que Vpl.Rd é o valor de cálculo da resistência plástica ao esforço transverso dado por

 

Vpl.Rd = Av  / gM0

 

2. A área de corte Av pode ser calculada utilizando o Quadro 16.

 

Quadro 16. Área de corte

Perfis

Av

a.   Perfis laminados em I, H ou U, carga paralela à alma

1,04 h tw

b.   Perfis soldados em I, H e caixão, carga paralela à alma

S (d tw)

c.   Perfis soldados em I, H, U e caixão, carga paralela aos banzos

A - S (d tw)

d.   Perfis tubulares rectangulares laminados com espessura uniforme, carga paralela à altura

A h / (b + h)

e.   Perfis tubulares rectangulares laminados com espessura uniforme, carga paralela à largura

A b / (b + h)

f.    Perfis tubulares circulares e tubos com espessura uniforme

2 A / p

 

3. Nos outros casos, o valor de Av deve ser determinado de forma análoga.

 

4. Não é necessário ter em conta os furos para ligações nas verificações ao esforço transverso desde que:

 

Av.net  ³ (fy / fu) Av

 

Quando Av.net for inferior a este limite, pode admitir-se uma área efectiva de corte com o valor de (fy / fu) Av.net.

 

5. A resistência à encurvadura por esforço transverso deve também ser verificada, tal como especificado no artigo 40.º quando:

 

  no caso de uma alma não reforçada

 

  no caso de uma alma reforçada

 

em que  kt = coeficiente de encurvadura (ver Quadro 21)

 

               

 

6. O critério de rotura por esforço transverso apresentado no artigo 50.º deverá também ser verificado nas extremidades de um elemento.

 

Artigo 36.º

Flexão, esforço transverso e forças axiais

 

1. Para as secções transversais das Classes 1 e 2, os seguintes critérios devem ser satisfeitos:

 

1) Força axial:  (ver artigos 32.º ou 33.º)

 

2) Esforço transverso:  (ver artigo 35.º)

 

3) Momento flector:  (ver Quadro 17)

em que MN.V.Rd é o valor de cálculo reduzido do momento plástico tendo em conta a força axial e o esforço transverso.

 

4) Momento flector biaxial (flexão desviada):

 

 

2. Para as secções transversais da Classe 3, os seguintes critérios devem ser satisfeitos:

 

1) Força axial:  (ver artigos 32.º ou 33.º)

 

2) Esforço transverso:  (ver artigo 35.º)

 

3) Momento flector:  (ver artigo 34.º)

 

4) Fórmula de interacção:

 

 para

 

 para

 

em que:r = (2 VSd / Vpl.Rd – 1)2

 

3. A resistência à encurvadura do elemento e à encurvadura lateral deve também ser verificada. (ver Secção III)

 

 

Quadro 17. Momento de resistência plástica reduzido MN.V.Rd tomando em conta a força axial e o esforço transverso (Para Classes 1 e 2)

Perfis

Nível de carga axial

Nível de esforço transverso

VSd £ 0,5 Vpl.Rd

VSd > 0,5 Vpl.Rd

Baixo

Elevado

Baixo

Elevado

Baixo

Elevado

Baixo

Elevado

Baixo

Elevado

    Onde:

 

 e

 

Baixo nível de carga axial: e

 

Elevado nível de carga axial: e

 

SECÇÃO III

Resistência à encurvadura dos elementos

 

Artigo 37.º

Resistência à encurvadura de elementos comprimidos

 

1. O valor de cálculo da resistência à encurvadura de um elemento comprimido deve verificar:

 

NSd  £  Nb.Rd

 

em que Nb.Rd é dado por Nb.Rd = cbA A fy / gM1

 

bA     = 1 para secções transversais de Classes 1, 2 ou 3

 

bA    = Aeff / A para secções transversais de Classe 4

 

c       = factor de redução para o modo de encurvadura relevante

 

2. Para secções transversais uniformes, o valor de c pode ser determinado a partir da seguinte expressão:

 

em que:     

 

                   a = factor de imperfeição (ver Quadro 18)

 

3. A esbelteza adimensional  é dada por:

 

 

em que:         

 

       com                 (fy – N/mm2)

 

                         = esbelteza

 

4. A esbelteza  pode ser calculada através da seguinte expressão:

 

 

em que  =    comprimento de encurvadura de um elemento comprimido, com as duas extremidades impedidas de se deslocarem lateralmente, pode, conservativamente, ser considerado igual ao seu comprimento nominal L.

 

i =     raio de giração da secção transversal bruta, em relação ao eixo apropriado.

 

5. Para elementos de secção transversal variável ao longo do seu comprimento, os valores de c podem ser verificados através de uma análise de segunda ordem.

 

 

Quadro 18. Selecção da curva de encurvadura de uma secção transversal

Secção transversal

Limites

Encurvadura em relação ao eixo

Curva de encurvadura

Factor de imperfeição   

Perfis I laminados

h / b > 1,2 e

 tf £ 40 mm

y – y

z – z

a

b

0,21

0,34

h / b > 1,2 e

40 < tf < 100

y – y

z – z

b

c

0,34

0,49

h / b £ 1,2 e

tf £ 100 mm

y – y

z – z

b

c

0,34

0,49

h / b £ 1,2 e

tf > 100 mm

y – y

z – z

d

d

0,76

0,76

Perfis I soldados

tf £ 40

y – y

z – z

b

c

0,34

0,49

tf > 40

y – y

z – z

c

d

0,49

0,76

Secções tubulares

Laminadas a quente

qualquer

a

0,21

Secções em caixão soldadas

Em geral

qualquer

b

0,34

Perfis U, L, T e secções sólidas

qualquer

c

0,49

Nota:

     A curva de encurvadura é apresentada apenas para referência. Para informação adicional consultar a ENV 1993-1-1.

 

Artigo 38.º

Resistência à encurvadura de elementos em flexão composta com compressão

 

1. Os elementos com secções transversais das Classes 1 e 2 sujeitas a uma combinação de flexão e compressão devem satisfazer a condição:

 

 

em que:

 

 

 

 

    =  menor dos valores de  e .

 

,,,    =  obtidos a partir do artigo 37.º

 

,        =    factores de momento uniforme equivalente, correspondentes à encurvadura por varejamento (ver Quadro 19 e parágrafo 4)

 

2. Os elementos com secções transversais das Classes 1 e 2 para os quais a encurvadura lateral é um modo de colapso possível devem satisfazer igualmente a condição:

 

 

em que:

 

 

 

, = obtidos a partir do artigo 39.º

 

  factor de momento uniforme equivalente, correspondente à encurvadura lateral (ver Quadro 19 e parágrafo 4)

 

3. A verificação de resistência à encurvadura para os elementos das Classes 3 e 4 deve seguir o descrito no capítulo 5.5.4 de ENV1993-1-1.

 

4. Os factores de momento uniforme equivalente bM.y,bM.z,bM.LT devem ser obtidos a partir do Quadro 19, de acordo com a forma do diagrama de momentos de flexão, entre pontos contraventados do seguinte modo:

 

Coeficientes

momento em

contraventamento direcção

y - y

z - z

z - z

y - y

y - y

y - y

 

 

Quadro 19. Factores de momento uniforme equivalente bM

Diagrama dos momentos

Factor de momento uniforme equivalente

Momentos nas extremidades


 

Momentos devidos a cargas laterais no plano

Momentos devidos a cargas laterais no plano

 

Artigo 39.º

Encurvadura lateral de vigas

 

1. Não é necessário verificar a resistência à encurvadura lateral de vigas com contraventamento lateral.

 

2. O valor de cálculo do momento resistente à encurvadura lateral de uma viga sem contraventamento lateral deve verificar:

 

MSd  £  Mb.Rd

 

Em que Mb.Rd é dado por

 

 

= 1 para secções transversais de Classe 1 ou Classe 2;

 

para secções transversais de Classe 3;

 

para secções transversais de Classe 4;

 

= factor de redução para a encurvadura lateral.

 

 

3. O valor de cLT pode ser determinado a partir da expressão:

 

em que:

;

 

 para secções laminadas (curva a);

 

 para secções soldadas (curva c);

 

4. A esbelteza normalizada  pode ser determinada a partir da expressão:

 

 

em que:

 

;

 

    (fy : N/mm2);          (ver artigo 37.º)

 

 

It = constante de torsão;

 

Iw = constante de enfunamento («warping»);

 

C1 =     factor dependente da situação de carga e das condições de restrição de movimento, indicado por y e por k (ver Quadro 20);

 

y   =    relação do momento final entre as restrições de movimento lateral;

 

k   =     Factor de comprimento efectivo para rotação no plano, que é igual a 0,5 para uma fixação total e 1,0 sem qualquer fixação, sendo 0,7 para o caso em que uma extremidade está livre e a outra fixa.

 

5.    No caso em que a esbelteza normalizada , não é necessário considerar a encurvadura lateral.

 

Quadro 20. Valores do factor C1 correspondendo a valores do factor k: Carregamento no momento final

arregamento e situações de suporte

Diagrama do momento flector

Valor de k

Valores de C1

y = +1

1,0

1,000

0,7

1,000

0,5

1,000

y = 0

1,0

1,879

0,7

2,092

0,5

2,150

y = -1

1,0

2,752

0,7

3,063

0,5

3,149

1,0

1,132

0,5

0,972

1,0

1,285

0,5

0,712

 

 Artigo 40.º

Resistência à Encurvadura por Esforço Transverso

 

1. Bases

 

1)As almas com d/tw superior a 69e para uma alma não reforçada, ou  (ver Quadro 21 para valores de kt) para uma alma reforçada, devem ser verificadas quanto à resistência à  encurvadura por esforço transverso;

 

2) Para as almas sem reforços transversais intermédios e para as almas apenas com reforços transversais, a resistência à encurvadura por esforço transverso pode ser verificada utilizando:

 

Ÿ            O método simples de resistência pós-encurvadura – apresentado seguidamente;

Ÿ            O método do campo diagonal de tracções – consultar a cláusula 5.6 da ENV1993-1-1.

 

2. Método simples de resistência pós-encurvadura

 

1) No método simples de resistência pós-encurvadura, o cálculo do esforço transverso resistente à encurvadura Vba.Rd deve verificar:

 

VSd  £  Vba.Rd

 

em que Vba.Rd é dado por

 

 é a resistência pós-encurvadura ao corte que depende da esbelteza da alma lw (verQuadro 22);

 

2) A esbelteza da alma lw é determinada a partir de:

 

 

em que kt= coeficiente de encurvadura (ver Quadro 21).

 

            

  

Quadro 21. Coeficiente de encurvadura kt

Almas com reforços transversais nos apoios

kt

sem reforços transversais intermédios

5,34

reforços transversais intermédios com a / d < 1 Œ

4 + 5,34 / ( a / d)2

reforços transversais intermédios com a / d ³ 1 Œ

5,34 + 4/(a / d)2

Nota:

Œ  a = espaçamento livre entre reforços transversais

d = altura da alma

 

Quadro 22. Resistência pós-encurvadura ao corte

 

 

 

Nota:

fyw = tensão de cedência da alma

 

 

         

 

3.    Momento flector e esforço transverso

 

1) Desde que VSd não exceda 50% de Vba.Rd, a resistência de cálculo da secção transversal ao momento flector não tem que ser reduzida para ter em conta o esforço transverso;

 

2) Quando VSd excede 50 % de Vba.Rd, a resistência de cálculo da secção transversal deve ser reduzida a Mv.Rd do seguinte modo:

 

 

em que: 

 

Mf.Rd = valor de cálculo da resistência à flexão plástica de uma secção transversal constituída apenas por banzos, tendo em conta a largura efectiva beff do banzo comprimido.

 

Artigo 41.º

Encurvadura do banzo no plano da alma

 

Para impedir a possibilidade do banzo comprimido encurvar no plano da alma, a relação d/tw da alma deve satisfazer o critério seguinte:

 

 

em que:

 

Aw é a área da secção da alma;

 

Afc é a área da secção do banzo comprimido;

 

fyf  é a tensão de cedência do banzo comprimido;

 

k =    0,3 para banzos de Classe 1;

         0,4 para banzos de Classe 2;

         0,55 para banzos de Classe 3 ou Classe 4.

 

Artigo 42.º

Resistência da alma a forças transversais

 

1. A resistência de uma alma não reforçada a forças transversais aplicadas através de um banzo é condicionada por um dos seguintes modos de colapso (ver Figura 2):

 

1) Esmagamento da alma junto ao banzo, acompanhado de deformação plástica do banzo;

 

2) Enrugamento da alma sob a forma de encurvadura e esmagamento localizado da alma junto ao banzo, acompanhados de deformação plástica do banzo;

 

3) Encurvadura da alma abrangendo a maior parte da altura da peça. 

 



 

Figura 2. Modos de colapso devido à introdução de carga

 

2. Quando as forças são aplicadas através de um banzo e equilibradas por esforço transverso na alma, a resistência da alma às forças transversais deve ser considerada como o menor dos valores:

 

Ÿ           da resistência ao esmagamento Ry.Rd (ver parágrafo 4);

Ÿ           da resistência ao enrugamento Ra.Rd (ver parágrafo 5).

 

3. Nos casos em que as forças são aplicadas a um banzo e transferidas através da alma directamente ao outro banzo, a resistência da alma às forças transversais deve ser considerada como o menor dos valores:

 

Ÿ           da resistência ao esmagamento Ry.Rd (ver parágrafo 4);

Ÿ           da resistência à encurvadura Rb.Rd (ver parágrafo 6).

 

4. Resistência ao esmagamento Ry.Rd

 

O valor de cálculo da resistência ao esmagamento Ry.Rd da alma de uma secção I, H ou U deve ser obtido a partir de:

 

Ry.Rd = (ss + sy) tw fyw / gM1

 

em que:

 

ss = comprimento de apoio rígido;

 

 

mas bf não deve ser considerado superior a 25tf e na extremidade de uma peça sy deve ser reduzido a metade;

sf.Ed é a tensão longitudinal do banzo.

 

5. Resistência ao enrugamento Ra.Rd

 

O valor de cálculo da resistência ao enrugamento Ra.Rd da alma de uma secção I, H ou U obtém-se a partir de:

 

 

Mas ss/d não deve ser considerado superior a 0,2. Nos casos em que a peça também esteja sujeita a momentos flectores, devem ser satisfeitos os seguintes critérios:

 

 

 

 

6.    Resistência à encurvadura Rb.Rd

 

O valor de cálculo da resistência à encurvadura Rb.Rd da alma de uma Secção I, H ou U obtém-se considerando a alma como um elemento fictício comprimido com uma largura efectiva beff obtida a partir de:

 

    (ver Quadro 23)

 

A resistência à encurvadura deve ser determinada com base no artigo 37.º considerando a curva de encurvadura c e bA=1.

 

Quadro 23. Largura efectiva para resistência da alma à encurvadura

 

 

 


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